o Estado da Arte

Abril 19, 2005

Habemus Papa

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 1:00 am

Temos Papa! Lamento, mas tenho de confessar que não gosto do novo Papa. O “Pastor Alemão de Deus”, a volta do “Grande Inquisidor”, a participação na Juventude Hitleriana, nada disso me incomoda. As pessoas mudam. Mas gostar é subjectivo: ou se gosta ou não se gosta. E o que me faz não gostar do novo Papa é o seu olhar, o seu semblante, a sua áurea, a maneira como olha para as pessoas e a maneira como fala para as pessoas (em Latin!). E depois, na comparação com João Paulo II, perde em todas as frentes. Acho que a frase que melhor perspectiva isto é: João Paulo II disse “Se me enganar corrijam-me”. Pio IX diz “Se me enganar, livrem-se de me corrigir”.

João Paulo II teve uma importância fundamental na queda da Rússia como potência e estou convicto que poderá até ter evitado guerras no coração da nossa Europa. Para o desempenho deste seu papel fundamental, não fez uso de tratados, acordos ou outras intervenções instituídas. Foi simplesmente, a sua maneira de ver o mundo.

É que a maneira de ver o mundo de um líder religioso é a inspiração para todos os seus seguidores. E sendo ele o líder religioso com maior número de crentes no mundo, a sua importância é imensurável. É errado pensar que só os líderes religiosos islâmicos iniciam guerras ou sustêm povos, justificando-o com o fanatismo de alguns povos islâmicos. Para todos os outros a importância não é tão fácil de medir, mas está lá. Está lá na altura em que tomam decisões, muitas vezes até inconscientemente. Está lá quando pensam se devem ou não vingar-se do vizinho que riscou o carro, e está lá quando um líder de um pais decide se deve ao não recorrer à força para retaliar um embargo económico.

E é isso, só isso, que me preocupa neste novo Papa. Queira Deus esteja errado.

A morte João Paulo II ficará também e para sempre marcada na minha memória como a altura da minha Grande Perda pessoal. Precisamente na mesma altura em que perdia a inspiração religiosa do Pai ecuménico, perdia a inspiração de vida do meu para sempre querido Pai. A minha Referência, o meu Herói.

Abril 2, 2005

Os Árbitros e o Futebol

Arquivar em: Portugal, Sociedade — Lidador @ 4:02 pm

Os árbitros e a corrupção no futebol. Não percebo, sinceramente, não percebo.

Qualquer economista minimamente competente explicaria porque o actual modelo de arbitragem no futebol não funciona. É muito simples. Marcar ou não um penalti numa final da taça dos campeões, por exemplo, é uma decisão que vale milhões (para os clubes envolvidos), e está na mão de um só homem. E mais, a decisão, mesmo que provadamente errada, é irrevogável e válida. Não há segundas opiniões, recursos, comissões de avaliação, nada, zero! Aplique-se este mesmo princípio em qualquer outra situação em que uma única decisão com mais valias de milhões, é tomada por uma única pessoa, completamente alheia aos mesmos milhões, e de forma inquestionável! Teremos que recuar ao tempo da realeza para tal proeza. E provavelmente, nem aí. Alvíssaras eram sempre devidas.

Mas brinquemos um pouco mais: imaginemos políticos, diplomatas, banqueiros ou meros homens de negócios, começarem avulso, um belo dia, a tomar decisões de acordo com aquele modelo. Convenhamos, decisões do género existem, mas as diferenças são duas: primeiro, aos interessados (e/ou povo) deve ser dada uma explicação plausível – que, regra geral deverá conter alguma percentagem de verdade – e é comummente aceite que os interessados – grupos de pressão ou lobbys – metam ao bolso a parte que lhes compete.

Aos árbitros pelo contrário, aceitam-se sem explicação, decisões erradas, uma vez que a percepção do árbitro é falível. E de facto, é um ser humano, é falível. Mas sendo um ser humano, tem família e filhos, e como tal deverá fazer o que todo o bom progenitor faz: (em qualquer espécie animal) preparar o melhor que pode o futuro dos seus filhos.
Assim, aceitar uma choruda oferta para facilitar a vida a uma das equipas em jogo, não pode ser censurado, e deve mesmo ser até ser desculpado e compreendido. Analisemos bem os factos: ele pode falhar e são aceites decisões erradas. Mas uma decisão “errada” tem as suas razões. Pode ter sido devido a falha na atenção do seu olhar, porque nunca foi com a cara daquele jogador, porque a claque do clube estava a fazer demasiado barulho ou porque resolveu pagar a operação em Cuba do seu filho que está gravemente doente. Sinceramente, a última não me choca mesmo nada. Ninguém lhe vai pedir para explicar porque tomou “aquela” decisão errada e não outra.

É o sistema, meus caros, é o sistema. Por último só questiono: se é tão fácil perceber isto, pergunto-me porque ainda continua assim?! Acho que a resposta também é fácil, fácil demais…

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