o Estado da Arte

Julho 29, 2005

www.Top das Repartições de Finanças.pt

Arquivar em: Economia, Portugal — Lidador @ 11:02 am

Não devia a administração fiscal dar o exemplo e ser, de entre todas, a mais justa instituição?
A mais igual para todos? A realidade é bem diferente, é sabido que, nas repartições de finanças, a aplicação da Lei varia de repartição para repartição.

Há algum tempo atrás comentava com um amigo meu que ganha a vida com a burocracia do país (é solicitador) o sucesso que podia ter colocarmos uma página na Internet com o top dos bairros fiscais. Quanto mais desleixado mais subia ao topo!

Segundo me confidenciou, na altura, no topo estava Santarém. Parece que todas as dívidas e execuções prescreviam sempre. E por isso, havia muito boa gente a mudar as sedes das empresas para Santarém.

Divulgar este “top” na Internet seria uma maneira de desenvolver e criar emprego no interior, não?

Julho 18, 2005

Morangos com Açúcar

Arquivar em: Portugal, Sociedade — Lidador @ 5:02 pm

A cena é a seguinte: Entra numa sala de aula um tipo com o cabelo espetado à punk - do tipo da anedotada do alentejano que, quando o suposto filho punk lhe chama pai ele responde que não se lembra de ter estado com um papagaio - e senta-se com ar de gozo ao lado de um miúdo com um ar ridículo, de óculos e camisa fora de moda, que lhe responde em pânico: “Eu sou dos que querem estudar”.

Não percebo porque é que ninguém percebe o que está mal em Portugal e porque é que somos o Pais menos produtivo da Europa.
O punk “tá in” e é o maior, o puto de óculos “tá out” e é ridicularizado.

Continuei a ver. Na cena seguinte, uma velhota ridiculamente “out” tenta convencer a neta que, sem um curso superior, o futuro não será risonho e a neta, muito “in” sai disparada.

Um amigo meu, que tem uma empresa de software na Bulgária, disse-me um dia:
Quem eram os putos pelos quais as miúdas mais suspiravam quando andavas no liceu? Eu respondi de imediato: os mais “cools”, os que tinham as roupas da moda, a mota e gozavam com os professores, faltavam às aulas e partiam os espelhos dos carros para se armarem em “durões”. Pois é, respondeu-me ele: Na minha escola elas gostavam mesmo era dos que tinham melhores notas!

Pela mesma lógica de ideias, sabem porque é que os Eurocratas andam em pânico com a ameaça futura que será o Império do Sol? É fácil: é que para os jovens chineses, o Eminem é Bill Gates e para os jovens Europeus, o Eminem é o Eminem.

Julho 7, 2005

A Alqaeda e os números

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 6:02 am

As recentes revelações sobre os atentados de Londres vêm trazer por terra um argumento que muitas vezes é usado por nós, culturas ocidentais, para explicar os actos terroristas. Qualquer coisa como isto: quem pratica os actos terroristas é filho de uma vivência muito própria, de uma educação espartana, fundamentalista e principalmente, não tem nada a perder. Vive na pobreza extrema e portanto, a morte é uma opção quando não se tem um emprego “fixe”, um carro para “ir para fora cá dentro” passear no fim-de-semana e uma casa decorada com design “a la carte”, graças ao Ikea. Para quem não tem nada disto, é claro que a morte é uma opção. Eu próprio, admito, cheguei em tempos a comprar esta ideia pronta-a-vestir. Os terroristas de Londres tinham tudo isto desde que nasceram e estavam completamente integrados na comunidade britânica. Tinham tudo aquilo, menos a convicção de que tudo aquilo é suficiente. E essa é uma diferença fundamental. E essa é toda uma questão fundamental. Reparam, por certo, que usei a palavra fundamental duas vezes. O que é fundamental hoje em dia, pergunto eu? O que justifica a nossa vida? Pelo que éramos capazes de dar o bem mais precioso que possuímos hoje em dia, isto é, a nossa própria vida? Para além da própria vida dos nossos filhos, nenhum outro motivo ou causa justificaria tal sacrifício. É preciso continuar vivo e continuar a produzir e a consumir. O que hoje parece inquestionável, nunca foi assim. E todos sabemos isso. Todos já vimos filmes de outras épocas em que a honra, a pátria ou a lealdade eram valores que se sobrepunham sempre à vida. E são esses os valores que os terroristas defenderam. Na mente destes jovens, estão a defender uma nação, um povo, estão a salvar toda uma pátria. Eles são o próprio Willliam Wallace!

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