Uma coisa é ler-se nos jornais os comentários de economistas entendidos, outra é ver a realidade comentada chegar ao nosso dia-a-dia. Comentam desde há muito que as vendas de CDs não param de cair, graças ao download legal e ilegal de músicas da Net. Reparei esta semana que a Valentim de Carvalho fechou a loja que tinha no Colombo. Comentam desde há muito a re-invasão de Castela. Reparei esta semana, na ida para o fim-de-semana que a bomba de gasolina do eixo norte-sul passou das mãos da Galp para a Repsol. Mais à frente, já na A8, mais uma Repsol recente a substituir a bomba que lá estava há anos. Tenho algumas amigas que gostam (!) de ver os Morangos com Açúcar. Aproveitem enquanto podem. “Fresas en Azúcar” chegará muito mais cedo do que imaginam.
Agosto 28, 2005
Agosto 14, 2005
Ensino da sexualidade nas escolas
Acerca da polémica do ensino da sexualidade nas escolas, só tenha uma pequena observação a fazer: Por favor não tirem aos adolescentes o prazer de descobrir a sexualidade. Se nada for escondido e proibido, onde está a piada? E já agora, deixem cada um decidir quando, onde e como pretendem descobrir o sexo!
Agosto 13, 2005
Os Sacrifícios quando nascem são para todos
Expliquem-me lá mais uma vez a ver se eu entendo porque é que devo fazer sacrifícios, quando o governo não se priva de fazer despedimentos com indemnizações milionárias e criar novos empregos “gaveta” pagos a peso de ouro para os seus boys?
Agosto 12, 2005
Administração da CGD
A administração da CGD foi demitida, mais uma vez.
Será que o Eng. Sócrates não percebe a instabilidade que cria e a mensagem que transmite cá para fora? A maneira como vejo as coisas é muitas simples:
a) ou não percebe mesmo e é pouco inteligente
b) ou percebe e é impotente para mudar o sistema ou está-se nas tintas
Qualquer das duas, que venha o diabo e escolha.
Agosto 6, 2005
Venda-se a Nação, porque eu quero é o meu carro novo!
Defender a honra e a pátria, lutar e até mesmo morrer por um ideal, são sentimentos que os jovens associam hoje em dia a três tipos de pessoas: a fundamentalistas que põem bombas, a protagonistas de filmes de acção e de jogos de computador e alguns, muito poucos, aos heróis dos nossos livros de história. Portanto, tudo ficção.
Escreve José António Saraiva no editorial do Expresso de 06/08/05 que Portugal estaria à beira de um golpe militar não fosse o caso de estarmos integrados na Comunidade Europeia. Concordo e acrescento e não fosse também o caso dos jovens e líderes de hoje estarem a marimbar-se (desculpem o termo, mas podia ter usado outro ainda pior) para a política, para os políticos e ao fim e ao cabo, para a situação e o futuro do Pais.
Na situação critica em que nos encontramos, todos se preocupam mas ninguém pretende, de facto, tomar atitudes drásticas e draconianas para “pôr isto na ordem”, ao seja, falta a essência de um golpe militar. É que todos estão muito mais preocupados com o seu próprio bem-estar imediato, incluindo os militares!
Ironicamente, nunca conseguir levar para a frente um golpe militar deve ser o único aspecto positivo do nosso laxismo. Meter mãos há obra, dar o corpo ao manifesto é que ninguém está para isso. Ponham os olhos na Auto Europa. Há uns anos e para evitar o pior, os trabalhadores concordaram em receber menos. Resultado? Acabou de receber mais um contrato para fazer o novo Golf Cabrio.
Os exemplos vêm de cima, e para políticos como Durões e Santanas e empresários como …., os lemes são os umbigos. É preciso que sejam os “velhos”, gente como Cavaco Silva ou Mário Soares a perceber que o bem-estar imediato é ilusório e que a brincadeira, um dia, acaba mal.
Imaginemos, por hipótese (remota?!), o fim do Euro. Portugal, com o fim da indexação fixa do Escudo ao Euro, verá a sua moeda nacional cair subitamente no abismo. A nova valorização do escudo em relação, por exemplo à peseta, será catastrófica. A queda será abismal.
É só lembrar o que aconteceu na Argentina que tinha a sua moeda irrealistamente indexada ao dólar. É preciso dizer mais? E então, àquela piada que por certo já receberam por e-mail com um anúncio de jornal que diz “vende-se país”, deverá ser acrescentado “em liquidação total!”.
No desespero e posta na bandeja a possibilidade de nos empenharmos aos espanhóis, para que “todo va bien”, temo que a solução escolhida será a mais fácil. É preciso nunca esquecer que, já na revolução de Abril, só meia dúzia de tiros foram disparados, para que a vidinha do costume pudesse continuar sem nos chatearmos muito.
Agosto 1, 2005
Os Autarcas Ladrões
O povo diz que quando alguém se coça, é sempre para dentro, na nossa direcção. Não acredita? Ora experimente.
É preciso dizer a verdade “limiana”: o povo não se importa que o autarca roube, desde que roube para o seu cantinho. Os outros que se lixem. O Presidente da Câmara até se pode abotoar a algum, mas e então? Há que ouvir a voz do povo, que numa entrevista de rua dizia, a propósito já não sei de qual deles: “Se eu pudesse fazia o mesmo!”
E diz mais, o “povaço”: “Com o nosso velho Presidente corrupto é muito melhor: já se sabe lidar com ele. É pagar o que se deve e receber o que se pede. E não me venham cá com essas leis de Lisboa, ambientalistas e escumalha dessa. A “gente” aqui faz as coisas à nossa maneira. Sempre foi assim, para quê mudar? No fundo, são todos iguais! E este, a gente já conhece. E mais: não queremos cá mais nenhum “Chico esperto” a abotoar-se a mais dinheiro. Este já comprou a vivenda, a casa de praia e o carro desportivo. O outro tinha que começar tudo do principio, saia mais caro e a gente não gosta de gente que fica mais rica que a gente de uma hora para a outra. Quem já é rico e roubou, que assim seja, mas o meu vizinho é que não pode roubar, senão roubo eu também! Só engordamos um porco!”
Basta lembrar o que Winston Churchill diz sobre o “povaço”: basta meia hora de conversa com um eleitor comum para se perceber como a Democracia não funciona!