Estava eu a fazer o meu zapping do costume quando me deparo, num canal qualquer com a seguinte frase do costureiro Augustus: “Nos anos 70, 10% das mulheres trabalhavam. Hoje, 95% das mulheres trabalham, (…)” O resto não interessa.
É impressionante o que certas elites conhecem do pais real. É certo que os artistas são por definição alienadas, mas que diabo desconhecer assim a realidade é obra.
Percebe-se agora quando certas mulheres “reais” entram numa loja de certos estilistas “alienados” e dizem: credo, quem é que vai vestir isto? O preço também é para mulheres irreais.
Novembro 29, 2005
O costureiro Augustus e o país real
Novembro 23, 2005
A Publicidade dos canais Lusomundo funciona ao contrário
No primeiro anúncio ao novo canal Lusomundo Action o Maestro Vitorino de Almeida dizia: “É só acção, é só acção, a quem é que isto interessa?” E eu pensei: tem toda a razão! Com tanto filme de qualidade disponível…
Agora aparece a dizer “Mais de 700 filmes mês. E as minhas partições, quem é que as vai escrever?” E eu penso mais uma vez: tem toda a razão! E o meu blogue, quem o vai escrever?
A Lusomundo, com esta publicidade pela negativa, clássica dos anos noventa, dá vontade de rir. A quem é que isto se dirige? De certeza que não é aos utilizadores da TvCabo, que já têm tanta oferta de televisão e Internet que seleccionam cada vez mais aquilo que vêm e onde gastam o precioso tempo. Precisamente aquilo que os anúncios ridicularizam, a selecção e o tempo disponível. Evoluam meus caros.
Novembro 22, 2005
A TVI e os deficientes nos “reality shows”
A maneira como a nossa cultura construiu os seus preconceitos em relação às pessoas diminuídas física e mentalmente dá que pensar.
É muito mal visto fazer piadas, pelo menos em público e abertamente sobre deficientes. Não passa pela cabeça de ninguém ridicularizar um deficiente. Mesmo num programa como o “Levanta-te e Ri”, fazer piadas com deficientes motores ou paraplégicos não é de bom-tom, e quem esporadicamente o faz, leva sempre os fortes apupos e assobios do costume.
No entanto, e à imagem do reino animal, a intrínseca vontade escondida de judiar e gozar com os seres iguais mas inferiores existe em grande parte de nós.
Deficiências físicas são visíveis e óbvias. No entanto, as deficiências mentais, nem sempre são óbvias e certas pessoas podem mesmo ser confundidas com pessoas em plena posse das suas faculdades mentais, mas apenas brincalhonas.
Essas são o alvo ideal. Continuam a ser aberrações, mas podem ser exploradas comercialmente porque são suficientemente “normais” para passarem por “seres normais com uma vontade permanente de se ridicularizarem e humilharem a si próprios”.
Sá Leão e José Castelo Branco são dois grandes exemplos. Outro é o Emplastro que foi mesmo recentemente usado para o lançamento de uma discoteca no norte do país. Mas há mais, muitos mais.
Não evoluímos muito desde o tempo em que se mostravam pessoas deficientes nos circos. O homem mais pequeno do mundo, a mulher sem pernas. Quem não conhece o famoso filme dos anos 20, “Freaks”?
Pergunto: Não devia o Estado e enfim, todos nós, responsabilizarmo-nos e proteger estas pessoas do canibalismo das audiências?