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Dezembro 25, 2005
Dezembro 12, 2005
O discurso de Harold Pinter
Imperdível o discurso de Harold Pinter de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2005. Todo o discurso é fantástico, mas não pude deixar de traduzir a pérola que é o discurso que aspirou escrever para George W. Bush.
Diz George, pela mão de Pinter:
Deus é bom. Deus é grande. Deus é bom. O meu Deus é bom. O deus de Bin Laden é mau. O deus dele é um deus mau. O deus de Saddam era mau. O deus de Saddam era mau, só que ele não tinha nenhum. Ele era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Nós não cortamos as cabeças às pessoas. Nós acreditamos na liberdade. Deus também. Eu não sou um bárbaro. Eu sou o líder eleito democraticamente de uma democracia amante da liberdade. Nós somos uma sociedade misericordiosa. Nós electrocutamos por misericórdia e as nossas injecções letais são misericordiosas. Nós somos uma grande nação. Eu não sou um ditador. Ele é. Eu não sou um bárbaro. Ele é. E ele também. Todos o são. Eu possuo autoridade moral. Estão a ver este punho? Esta é a minha autoridade moral. Nunca o esqueçam.
Dezembro 8, 2005
Ninguém quer trabalhar em Portugal
Professores, Juízes, Policias, Militares não percebem quão ridículos parecem ao fazerem discursos esfarrapados e sem nexo, quando o que querem realmente dizer é: “Eu não quero trabalhar mais e também não quero continuar a receber o mesmo!”
De facto os discursos são, invariavelmente, do género: “Isto não é solução. O que é preciso é repensar e reestruturar todo o sector _____ (preencher de acordo) para que se possa realmente oferecer um serviço de qualidade.”
Tenham dó!
P.S: Para quem achava que os meus posts andavam muito para a esquerda, aqui está um mais à direita.
Dezembro 5, 2005
Alan Greenspam e a criação de emprego
Aquele que quando fala o mundo [económico] para, vai deixar a Reserva Federal Americana.
Num dos seus últimos discursos, indica como um dos principais problemas da economia americana a extrema rigidez das leis laborais. Atente-se no facto que estamos a falar nos Estados Unidos onde estas leis são mil vezes (pelo menos) mais flexíveis do que em Portugal. E justifica com uma fundamentação tão simples como esta: quanto menos flexíveis foram as leis laborais menos as empresas contratam novos trabalhadores.
Agora eu pergunto: É preciso ouvir uma cabeça iluminada para perceber isto? E pergunto também: Se isto faz sentido nos Estados Unidos, imagine-se em Portugal.
Ajudava também o estado deixar de perseguir as empresas e deixar de tratar os empresários à partida como bandidos, ou a coisa irá sempre, de mal a pior.
Dezembro 2, 2005
O Estado e as medidas generalistas de combate à corrupção
Comem todos pela medida grande. O Estado faz lembrar a recruta na tropa.
Quando alguém faz asneira, castiga-se todo o pelotão ao mesmo tempo que se agradece a quem fez o disparate.
O Estado, em Portugal, está a ir pelo mesmo caminho. Na impossibilidade de pôr em prática mecanismos de controlo eficazes e na ânsia de recolher fundos, impõe medidas generalistas que afectam toda a gente, fazendo o pequeno infractor esporádico pagar pelo grande corrupto crónico.
No processo, esvazia-se o bolso a contribuintes respeitosos e atropelam-se direitos fundamentais de privacidade.
Pôr câmaras de TV a controlar o trânsito é só mais um dos últimos exemplos, mas o caso mais gritante é mesmo o das finanças. Criação de pagamentos especiais por conta, imposição de colectas mínimas, execuções fiscais inadiáveis, multiplicação por 10 de impostos quando se trata de paraísos fiscais, etc, etc, etc.
A teoria por de trás deste exercício na recruta é construir o chamado espírito de corpo. Criar um pelotão unido; um por todos e todos por um. Sem dar por isso, o Estado anda a construir espírito de corpo nos Portugueses. Das duas uma: ou o mancebo se farta da recruta e deserta ou aguenta levá-la até ao fim e gradua-se. Traduza-se isto para o exemplo em questão e facilmente se percebe que, caso não desistam desta recruta, os Portugueses vão conseguir criar um espírito de corpo à séria. Agora pergunto: contra quem?

