o Estado da Arte

Maio 27, 2006

Timor Leste de novo a ferro e fogo

Arquivar em: Mundo, Política — Lidador @ 7:25 pm

Um dos chavões dos anos noventa: a aldeia global. O “mundo plano” segundo um dos livros mais badalados dos últimos tempos. Um mundo global, onde se exporta e importa tudo.

Erro crasso: não se exporta democracia. A democracia “acontece” quando o povo está preparado e a faz nascer. Nunca pode ser imposta. Os exemplos são muitos, o último dos quais, Timor Leste.

Países ainda próximos da idade média têm que seguir a sua própria evolução. O mundo pode ser plano, mas são claramente dois planos. Um cada vez mais afastado do outro.

Maio 19, 2006

Irão troca Dólar por Euro para negociar Petróleo

Arquivar em: Mundo, Política — Lidador @ 7:05 pm

Acredito cada vez que um ataque ao Irão, muito provavelmente vindo de Israel, poderá acontecer ainda este ano.

De facto, um dado muito pouco falado mas que despoletou definitivamente o ataque ao Iraque foi o facto de Saddam Hussein ter anunciado que o mercado do petróleo no Iraque iria passar a usar o Euro em vez do Dólar.

As mais recentes notícias dão conta de que o Irão está a estudar fazer o mesmo…

Maio 16, 2006

Como acabar com a violência no Brasil

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 3:06 pm

Os ataques violentos contra a polícia e os motins nas prisões de São Paulo, no Brasil, provocaram pelo menos 133 mortos, segundo o último balanço oficial divulgado, num total de 180 ataques orquestrados pela facção criminosa de São Paulo PCC (Primeiro Comando da Capital) durante os últimos dias.

Uma só medida, muito simples, resolvia o problema: Legalizar a Droga! Sem dinheiro não há poder. O estado controlaria o preço e a qualidade da droga, que seria vendida nas farmácias aos portadores registados e identificados com cartão de consumidor. Só controlando se consegue combater.

Mas entretanto, e como medidas imediatas para São Paulo:
1. Bloquear os sinais de telemóveis num raio de 5 km de todas as prisões e casas de detenção.
2. Promover de imediato e para já um jogo da selecção de futebol do Brasil, em São Paulo.

Fevereiro 13, 2006

As agressões por soldados britânicos a crianças no Iraque

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 3:07 am

A notícia que faz hoje aberturas de serviços noticiosos é a divulgação de um vídeo amador com agressões de soldados britânicos no Iraque.

A propósito, Marcelo Rebelo de Sousa acabou de dizer, na RTP: “é o pior que podia acontecer neste momento”. Não partilho, de todo da mesma opinião.

Em minha opinião será um “non event”. É que, para eles, é um comportamento esperado. É um comportamento que não choca na Idade Média.

Há pouco passou uma entrevista num café de Bagdad em que um espectador pouco atento das notícias que davam conta do vídeo no telejornal em Bagdad balbuciou algo muito mal ensaiado sobre “o respeito pelos direitos humanos”. Uma completa falta de convicção transpirava-lhe por todos os poros.

Fevereiro 12, 2006

O Islamismo e a Idade Média

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 2:07 am

Ainda a propósito das caricaturas de Maomé. É preciso que se perceba, de uma vez por todas, que não são civilizações completamente diferentes, mas que se trata, de facto, de um choque de civilizações. Como? É que não é um choque cultural, é um choque temporal! É tão simples quanto isso.

No primeiro milénio do nosso profeta, Jesus Cristo, também nós mandávamos para a fogueira os hereges. Tínhamos a nossa Sagrada Inquisição que condenava as blasfémias em nome do Senhor.

Eles estão agora a chegar ao primeiro milénio de Maomé. Estão ainda na Idade Média.

Não é possível pedir-lhes que avancem mil anos de um dia para o outro. Os resultados estão à vista: impor eleições democráticas na Idade Média, na Argélia, no Iraque, no Islão é um erro enorme. A Idade Média é época de Reis. E como o irão era um paraíso quanto tinha ainda o Rei…

Impôr saltos de mil anos na Idade Média, resulta que a Internet é usada para combinar atentados, a Liberdade de expressão para incitar à violência, o simulador de voo da Microsoft para treinar atentados, os aviões são usados como bombas gigantes e a largura de banda é usada para mandar abaixo firewalls e sites da Dinamarca. Tal como as paredes dos castelos de então e as catapultas. Mata-se o mensageiro quando a mensagem não agrada, tal como o coitado do tradutor do livro de Salman Rusdein.

É preciso dar mais exemplos? Como eu acho que isto vai acabar? Com o Grande Muro. O Livro que escreverei um dia.

E é claro que a finalidade final das agressões é, tal como na Idade Média, a conquista do nosso ouro. A religião é, tal como sempre foi nestes casos, apenas uma desculpa.

P.S: Ainda a propósito da Idade Média, lembrei-me de um exercício interessante: imagine-se que Lisboa regressa no tempo dois mil anos, mas o Centro Comercial Colombo se mantém exactamente igual ao que está hoje, incluindo todo o recheio. Imagine-se o que acontece a seguir, principalmente no uso dado a cada um dos objectos encontrados no seu interior. (Parta-se do principio que toda as máquinas, motores e aparelhos eléctricos continuam a funcionar)

Fevereiro 11, 2006

As Caricaturas e a política do Medo

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 1:07 am

Há alguns anos, por causa de algo que nunca me seria possível lembrar agora, recordo-me de estar a argumentar com uma “senhora” num autocarro da Carris.

O que também ainda me recordo muito bem foi como acabou a discussão: com o meu silêncio granítico e a minha indiferença basáltica. E logo eu, que nunca desisto de fazer valer o meu ponto de vista.

Só que, a certa altura, a “senhora” baixou o nível repentinamente e a partir daí, tinha perdido imediatamente a razão, pelo que não valia mais a pena argumentar o que quer que fosse.

E o que é que isto tem a ver com os recentes actos praticados por radicas islâmicos contra interesses europeus a propósito da publicação das caricaturas do profeta Maomé?
É que queimar embaixadas e apontar com armas é perder imediatamente a razão, independente do assunto em causa. Ponto.

Assim, o mais importante seria que esses argumentos nunca nos intimidassem! A indiferença total seria a melhor arma de todas. Imagine-se nenhum destaque noticioso, nenhuma capa de jornal. Quanto alguém ameaça, o pior que pode receber de volta é a indiferença total à sua ameaça. É, nos desenhos animados, aquela situação clássica em que só se vê uma boca aberta com uns dentes enormes pingando saliva, um rugido medonho e um ratinho, em frente, completamente indiferente à situação. Cena seguinte? O feroz animal põe em causa, naturalmente, a sua virilidade!

É claro que, o segredo para tanto sangue frio é saber que, no fundo e mesmo que não pareça, se é muito mais forte. É nós, Europa, temos dúvidas?!

Dezembro 12, 2005

O discurso de Harold Pinter

Arquivar em: Mundo, Política — Lidador @ 1:52 am

Imperdível o discurso de Harold Pinter de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2005. Todo o discurso é fantástico, mas não pude deixar de traduzir a pérola que é o discurso que aspirou escrever para George W. Bush.

Diz George, pela mão de Pinter:

Deus é bom. Deus é grande. Deus é bom. O meu Deus é bom. O deus de Bin Laden é mau. O deus dele é um deus mau. O deus de Saddam era mau. O deus de Saddam era mau, só que ele não tinha nenhum. Ele era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Nós não cortamos as cabeças às pessoas. Nós acreditamos na liberdade. Deus também. Eu não sou um bárbaro. Eu sou o líder eleito democraticamente de uma democracia amante da liberdade. Nós somos uma sociedade misericordiosa. Nós electrocutamos por misericórdia e as nossas injecções letais são misericordiosas. Nós somos uma grande nação. Eu não sou um ditador. Ele é. Eu não sou um bárbaro. Ele é. E ele também. Todos o são. Eu possuo autoridade moral. Estão a ver este punho? Esta é a minha autoridade moral. Nunca o esqueçam.

Outubro 28, 2005

Os dois livros mais importantes para entender o futuro

Arquivar em: Economia, Mundo — JoseAugusto @ 4:11 am

Para entender o vai acontecer ao comércio electrónico, para perceber como e para onde tem que dirigir o seu negócio, se quizer ter sucesso no futuro. Fundamentais! Referências nos cursos de MBA da próxima década.

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Setembro 4, 2005

A América do Katrina

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 12:20 am

Imagens da CNN mostravam pessoas doentes amontoadas e agonizando no terraço de um Hospital Público à espera de salvamento por helicóptero. Sem nunca interromper a emissão em directo, a mesma câmara foca agora e um pouco mais à frente um outro terraço de Hospital, desta vez Privado, em que os médicos e enfermeiros eram retirados com todas as mordomias.
Quando a emissão passou para o estúdio o apresentador ficou literalmente sem palavras e visivelmente emocionado. Disse “Há coisas que nos tiram a respiração e são mesmo muito difíceis de compreender.”
Resultado? Morreram 44 pessoas nesse hospital. A ajuda só chegou passados mais QUATRO dias! No Daily News as parangonas eram: “Shame on us”
Só tenho uma coisa a dizer: agora é que perceberam o país que têm?

Julho 7, 2005

A Alqaeda e os números

Arquivar em: Mundo, Sociedade — Lidador @ 6:02 am

As recentes revelações sobre os atentados de Londres vêm trazer por terra um argumento que muitas vezes é usado por nós, culturas ocidentais, para explicar os actos terroristas. Qualquer coisa como isto: quem pratica os actos terroristas é filho de uma vivência muito própria, de uma educação espartana, fundamentalista e principalmente, não tem nada a perder. Vive na pobreza extrema e portanto, a morte é uma opção quando não se tem um emprego “fixe”, um carro para “ir para fora cá dentro” passear no fim-de-semana e uma casa decorada com design “a la carte”, graças ao Ikea. Para quem não tem nada disto, é claro que a morte é uma opção. Eu próprio, admito, cheguei em tempos a comprar esta ideia pronta-a-vestir. Os terroristas de Londres tinham tudo isto desde que nasceram e estavam completamente integrados na comunidade britânica. Tinham tudo aquilo, menos a convicção de que tudo aquilo é suficiente. E essa é uma diferença fundamental. E essa é toda uma questão fundamental. Reparam, por certo, que usei a palavra fundamental duas vezes. O que é fundamental hoje em dia, pergunto eu? O que justifica a nossa vida? Pelo que éramos capazes de dar o bem mais precioso que possuímos hoje em dia, isto é, a nossa própria vida? Para além da própria vida dos nossos filhos, nenhum outro motivo ou causa justificaria tal sacrifício. É preciso continuar vivo e continuar a produzir e a consumir. O que hoje parece inquestionável, nunca foi assim. E todos sabemos isso. Todos já vimos filmes de outras épocas em que a honra, a pátria ou a lealdade eram valores que se sobrepunham sempre à vida. E são esses os valores que os terroristas defenderam. Na mente destes jovens, estão a defender uma nação, um povo, estão a salvar toda uma pátria. Eles são o próprio Willliam Wallace!

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