o Estado da Arte

Outubro 11, 2005

Quem é O Lidador

Arquivar em: Pessoal, Sociedade — Lidador @ 10:37 pm

Numa época em que se perde cada vez mais o enaltecimento d’As armas e d’os Barões assinalados, urge evocar uma mítica figura heróica Portuguesa: O Lidador.

Da cidade de Beja saiu o Lidador naquela manhã com trinta cavaleiros fidalgos e trezentos homens de armas, sabendo de antemão que o exército de Almoleimar era muitas vezes superior. Perto do meio-dia, pararam os cavaleiros para descansar perto de um bosque onde emboscados aguardavam os mouros. A primeira seta feriu de morte um guerreiro português, o que fez com que o exército cristão se pusesse em guarda. Frente a frente se mediam a destreza e perícia árabes, invocando Allah, e a rudeza e força cristãs, clamando por Santiago. A batalha começou e ambos os exércitos se debateram com coragem, até que num dado momento Gonçalo Mendes e Almoleimar cruzaram espadas em cima dos seus cavalos. Um dos vários golpes desferidos atingiu Gonçalo Mendes que, mesmo ferido, atacou com raiva Almoleimar, que ripostou. O resultado foram dois golpes fatais, um dos quais matou o mouro e outro que deixou Gonçalo Mendes Maia ferido de morte. O Lidador, moribundo, perseguiu com os seus homens os mouros que debandavam em fuga até que o esforço de um último golpe sobre um cavaleiro árabe lhe agravou os ferimentos. O Lidador caiu morto na terra juncada de mais de mil corpos inimigos. Os cerca de sessenta cristãos sobreviventes celebraram com lágrimas esta última vitória do Lidador. Um sacerdote templário disse em voz baixa as palavras do Livro da Sabedoria: “As almas dos justos estão na mão de Deus e não os afligirá o tormento da morte”.

Junho 15, 2005

O Piercing

Arquivar em: Pessoal, Sociedade — Lidador @ 8:02 pm

Uma amiga minha fez recentemente um piercing.
Li algures uma teoria com piada. Diz que, como vivemos numa altura sem guerras e sem pedaços de metal a entrar pelo corpo dentro, somos nós próprios a introduzi-las. Segundo a mesma teoria, desde os tempos mais remotos que precisamos de mutilar o corpo para nos sentirmos vivos. Eu ainda não precisei. Talvez por isso, às vezes, não tenho a certeza que estou vivo.

Junho 24, 2004

Taxistas e o Euro2004

Arquivar em: Pessoal, Sociedade — Lidador @ 8:02 am

Na noite de 24 de Junho – e ao que tudo indica, parece estar a ser prática corrente desde que o EURO2004 começou – aconteceu, na Avenida 24 de Julho, a situação caricata que a seguir descrevo.

É tão simples como isto: cerca das 3 horas da madrugada e para pequenas distâncias, era completamente impossível apanhar um táxi! Mas o impensável vai ainda mais longe; caso a aparência de quem pedia um táxi fosse a de um típico “portuga”, então é que os táxis não paravam mesmo.

Pois é, aconteceu comigo e com outros compatriotas. 3 horas da manhã e nós a sairmos de uma discoteca na Avenida 24 de Julho. A clássica fila de táxis à porta, nem vê-la, o que até se compreendia dado os acontecimentos daquela noite: a selecção tinha passado às meias-finais! Até aqui tudo bem, nada a fazer a não ser esperar. O primeiro sinal de que algo de estranho se passava com os táxis é dado quando, depois de ter deixado alguns passageiros, o primeiro táxi que aparece fica misteriosamente sem qualquer luz em cima. Nem sinal da luzinha verde que todos aguardavam ansiosamente. Pensei: luz desligada, acabou o serviço, vai para casa, e perdi-lhe o rasto.

Eis que chega um segundo táxi e o procedimento é exactamente igual. Desta vez fiquei mais curioso e continuei a segui-lo com o olhar. Observo então, ao longe, vários grupos de pessoas a dirigirem-se ao táxi e a voltarem para trás. Tudo bem, pensei para comigo, são ignorante, não percebem que acabou o serviço. Não podia estar mais errado!

O que se realmente se passava e que vim a descobri mais tarde da pior maneira possível, era um verdadeiro “leilão”, onde o taxista escolhia a seu bel-prazer quem iria ser o felizardo contemplado com uma viagem! Portugueses estavam praticamente excluídos à partida, a preferência era dada a estrangeiros, ingleses no topo da lista. A regra era a seguinte: quando mais ignorantes, bêbados, estúpidos e com aparência de terem dinheiro, mais era a probabilidade de terem a atenção do taxista. Mas é claro, não se pense que isso chegava. De facto, vi muitos com essas mesmas características a serem, ainda assim, recusados. As palavras-chave que abriam o “táxi-sessamo” nessa noite eram mesmo: “Sinteraa”, Cázcais” ou “Éstoril”. Aí sim, voltava a desejada luz verdinha, ainda que só por meros segundos.

Já se está mesmo a ver que situação repetiu-se, repetiu-se e voltou-se a repetir nessa noite. Depois de muitas tentativas, algumas discussões – muitas delas terminadas com a mesma frase: “O Táxi é meu, faço o que eu quiser!” - a verdade é que só conseguimos apanhar táxi com a intervenção da PSP no local. Um dos agentes deu “umas palavrinhas” a um taxista, notícia espalhou-se misteriosamente e parece ter sido remédio santo.

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